domingo, 14 de julho de 2013


O escolhido de hoje foi o filme argentino "Un novio para mi mujer", do diretor Juan Taratuto. Mais uma vez o cinema argentino mostra à que veio e deixa claro que pra fazer cinema o importante é ter um bom roteiro, bons atores e um bom diretor. Bom, a gente sabe que precisa de mais um monte de coisa, mas enfim. Vocês me entenderam.


O filme trata da história de Tenso, Adrian Suar, que deseja imensamente se separar de sua esposa Tana, Valeria Bertuccelli. Levam alguns anos juntos e Tana não passa por um bom momento, está desempregada e passa o dia inteiro em casa falando sem parar de toda e qualquer coisa que a incomode. E não pense que são poucas coisas que a incomodam, então o diálogo (ou deveria dizer monólogo) é intenso e árduo.

Acontece que Tana tem um caráter forte, é perfeccionista, não suporta a mediocridade e não se contenta com pouco. Tenso, a sua vez é um personagem distinto. Um homem tranquilo, inseguro, e talvez até a acomodado. Para ele não é preciso muito, com que ela gostasse de seus amigos e fosse um pouco mais alegre estaria tudo bem. Mas ela não parece se importar com isso, ou com nada.

O filme começa pelo fim, os dois se encontram em uma sala no que podemos deduzir ser um consultório de uma psicóloga, onde foram para debater ou explicar o que os levou até aquela situação limite. É o que nós, enquanto espectadores, vamos descobrir enquanto vamos conhecendo um pouco mais dos personagens, seus sonhos, medos e anseios.

O ponto chave para Tenso é: quero me separar. São três palavras, muito simples. No entanto ele não tem coragem de dizer isto olhando nos olhos de sua mulher. Ele tenta dizer de costas, muito simples não? mas tampouco consegue. A relação está opaca e sem vida, não fazem mais que repetir um cotidiano fastidioso e nenhum dos dois tem a forca ou click necessário pra mudar tudo. A grande solução que Tenso encontra é contratar um famoso sedutor para atrair sua mulher e com isso fazer que ela mesma queira o divórcio, uma vez que ele não tem coragem de fazê-lo.

A partir da entrada deste terceiro elemento as coisas começam a mudar, como um efeito dominó. No qual ao mudar a chave de uma engrenagem, todas as outras vão se reajustando e modificando o quadro geral. O que nos prova como uma pequena mudança pode acarretar grandes diferenças.Não pretendo contar todo o filme, ele tem de ser visto. Mais que nada pretendo comentar como ele me mobilizou, que é o verdadeiro intento de toda e qualquer arte, acredito.

É muito fácil se identificar com os personagens, qualquer um que tenha vivido uma relação a dois compreende o que eles estão passando. Todos sabemos como pode chegar a ser desgastante um término, e todas as indagações que surgem junto com ele. Onde está aquele por quem eu me apaixonei? afinal, o que é que realmente gosto nessa pessoa? porque estamos juntos?

O bonito e ao mesmo tempo incômodo é ver que dentro de toda separação existem praticamente os mesmos sentimentos. Embora cada história seja única, e cada relação tenha seus diferentes matizes, podemos encontrar uma pitada dos mesmo sentimentos em todas. Existe o medo da perda, o apego, o egoísmo, o ciúme. Mas também existe a admiração, o carinho, o zelo, o amor. Existe o valor por tudo que se viveu e que se compartilhou, as risadas, as lágrimas, as confissões. É como se aquela pessoa fosse tudo de melhor e pior no mundo ao mesmo tempo. E entramos em uma crise existencial, se esta é a pessoa que mais me conhece no mundo (depois de minha mãe, claro!), porque ela não quer mais estar comigo? ou mesmo porque eu não quero estar com ela? Se quando começamos eramos tudo, tínhamos tanto amor, o que aconteceu?

E o filme nos brinda com uma bonita resposta: porque nos esquecemos de brilhar. "Cualquier amor si se descuida, muere", é uma das frases ditas durante o longa. E ela fica assim solta, como se não tivesse tanta importância. Creio que ela poderia ser o resumo e o grande argumento do filme. Porque afinal não basta amor pra sermos felizes. É imprescindível o cuidado, porque sem ele até a mais linda das plantas morre.
Recomendo este filme a todos que quiserem passar um bom momento, uma comédia amena, simples e ao mesmo tempo profunda. Toca em temas comuns a todos os casais de maneira suave e divertida. Vale a pena.